
A apneia obstrutiva do sono (AOS) é mais comum do que parece. Dados do Estudo Epidemiológico do Sono (Episono), conduzido pela Unifesp e divulgados pelo Jornal da USP, mostram que cerca de 33% dos adultos da cidade de São Paulo apresentam algum grau da doença. Estimativas clínicas apontam ainda que mais de 80% dos casos seguem sem diagnóstico.
A condição se caracteriza por pausas repetidas na respiração durante o sono, causadas pelo colapso parcial ou total das vias aéreas superiores. O diagnóstico padrão é a polissonografia, exame que mede o Índice de Apneia-Hipopneia (IAH) e define a gravidade do quadro (leve, moderada ou grave). A partir desse resultado, o médico do sono indica o tratamento mais adequado, que raramente é único: costuma combinar terapia principal, ajustes comportamentais e acompanhamento clínico.
Deixar a apneia do sono sem tratamento não é um problema apenas de sono ruim. A doença está associada a hipertensão resistente, arritmias, maior risco de AVC, déficits cognitivos e acidentes de trânsito por sonolência diurna. Por isso, entender as opções disponíveis é o primeiro passo para uma decisão consciente.
Por que o CPAP é considerado o padrão-ouro
O CPAP (do inglês Continuous Positive Airway Pressure, ou pressão positiva contínua nas vias aéreas) é o tratamento de primeira linha para apneia do sono moderada a grave. O aparelho envia um fluxo contínuo de ar pressurizado através de uma máscara nasal ou oronasal, o que impede o colapso da faringe durante o sono e elimina as pausas respiratórias.
Os resultados clínicos são consistentes. Um estudo conduzido pela USP em 2022 com 80 pacientes com apneia do sono grave mostrou redução média de 83,4% no IAH basal com uso regular do equipamento. A recomendação mínima para adesão terapêutica é de quatro horas por noite, embora o benefício aumente com o uso durante todo o período de sono.
Variações do CPAP: APAP e BiPAP
Nem todo paciente responde ao CPAP tradicional. Existem duas variações principais:
- APAP (pressão automática): ajusta a pressão em tempo real conforme a necessidade respiratória do paciente ao longo da noite. Útil quando a demanda de pressão varia bastante entre estágios do sono ou posições corporais.
- BiPAP (dois níveis de pressão): oferece pressão maior na inspiração e menor na expiração. Indicado para casos graves com intolerância ao CPAP, apneia central ou pacientes com comorbidades respiratórias.
A definição de qual equipamento usar cabe ao médico, geralmente após um período de teste com o CPAP convencional.
Outras opções terapêuticas
Quando a apneia é leve, ou quando há intolerância confirmada ao CPAP, outras abordagens entram em cena.
Aparelho intraoral
Também chamado de dispositivo de avanço mandibular, funciona reposicionando a mandíbula para a frente durante o sono, o que amplia o espaço faríngeo. É indicado para apneia do sono leve a moderada e requer confecção sob medida por dentista com especialização em sono.
Terapia posicional
Alguns pacientes só apresentam apneia quando dormem de barriga para cima. Nesses casos, dispositivos que impedem o decúbito dorsal (cintos, camisetas com almofada dorsal) podem resolver boa parte do quadro.
Cirurgia
Reservada para casos específicos com obstrução anatômica clara (desvio de septo severo, hipertrofia de amígdalas, alterações craniofaciais) ou como parte do tratamento em obesidade grave. Não é primeira escolha para a maioria dos pacientes.
Mudanças comportamentais
Redução de peso, higiene do sono, restrição de álcool à noite e controle de comorbidades como refluxo e rinite compõem o pano de fundo de qualquer tratamento. Sozinhas, raramente resolvem casos moderados ou graves, mas potencializam o efeito das demais terapias.
Comprar ou alugar o CPAP no início do tratamento da apneia do sono?
Essa é uma das decisões que mais gera dúvida em quem acabou de ser diagnosticado. O equipamento tem custo relevante, e a adaptação nas primeiras semanas nem sempre é imediata: pressão, tipo de máscara e umidificação costumam precisar de ajustes.
| Modalidade | Quando faz sentido |
| Compra | Adesão confirmada, prescrição estável, uso consolidado há meses |
| Aluguel | Início da terapia, teste de adaptação, ajuste de pressão e máscara |
O aluguel de CPAP oferecido pela Physical Care atende justamente esse cenário de fase inicial. A empresa atua desde 2006 em São Paulo e Belo Horizonte com equipe de fisioterapeutas especializados em sono, acompanhamento na adaptação da máscara e taxa declarada de adaptação acima de 80%. O processo exige prescrição médica ou resultado da polissonografia.
Alugar antes de comprar reduz o risco financeiro de investir num equipamento que talvez não seja o modelo ideal para o seu perfil. Também permite trocar de máscara ou testar APAP e BiPAP sem custo adicional, caso o médico julgue necessário.
O que considerar antes de decidir
A escolha do tratamento passa por três variáveis: gravidade do quadro medida pelo IAH, presença de comorbidades e tolerância individual ao equipamento. Um paciente com apneia do sono grave e hipertensão resistente dificilmente escapa do CPAP; um paciente com quadro leve e apneia posicional pode se resolver com terapia comportamental.
O caminho mais seguro é combinar dois passos: fechar o diagnóstico com polissonografia atualizada e discutir com o médico do sono qual terapia responde melhor ao seu caso. Com o CPAP indicado, a fase de adaptação define o sucesso a longo prazo, e ter suporte técnico especializado nesse período costuma ser mais decisivo do que a marca do aparelho.


